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Dentro do universo de Refractus, a série Urban dirige o olhar para aquilo que a cidade produz sem cessar: movimento, densidade, sobreposição. O trânsito como fluxo e como impasse. A arquitetura como ordem imposta e como caos acumulado. A rua como palco de presenças anônimas que se cruzam sem se tocar. O urbano não como problema, mas como matéria em permanente ebulição.
Quando essa matéria é filtrada pelos caleidoscópios de formas geométricas distintas, Fatz impõe sobre o caos orgânico da cidade uma lógica que o transforma em padrão e em ritmo. O que era congestionamento se converte em coreografia. O que era fachada se abre em mosaico. Fatz fragmenta o urbano pelo interior, revelando que a cidade não é apenas o que se vê, mas o que se multiplica quando o olhar aceita ser partido.
O resultado são imagens que habitam uma fronteira instável entre o mapa e o labirinto. O edifício ainda é edifício, mas é também módulo, repetição, estrutura. A multidão ainda é multidão, mas se expande em eixos que a tornam ornamento. A cidade, aqui, não é retratada. É decomposta, e nessa decomposição revela uma ordem secreta que só com a fratura do olhar é capaz de emergir.

©2026 SILVIO FATZ
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